17 de dezembro de 2017
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Conheça as dicas e saiba que o Norte do Paraná tem um dos melhores grãos do mundo

PUBLICADO DIA: 10/11/2016
POR: Portal Janiópolis
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O dia 18 de julho de 1975 não sai da memória de muitos moradores do Paraná. Foi o dia da chamada “geada negra”, que dizimou todas as plantações de café do estado, principalmente no Norte Pioneiro. O principal produto agrícola do estado, que colocou o Paraná como o maior produtor nacional, praticamente deixou de existir da noite para o dia. Quarenta e um anos depois temos uma história de superação. Após um longo trabalho junto aos produtores, a região produz hoje um dos cafés gourmet mais bem avaliados do mundo.
O consultor de agronegócio, barista e torrefador Ademar Augusto Martins, do Empório Café da Casa, de Jacarezinho (Norte-PR), conta que, depois da ‘geada negra’, o café do Paraná passou a não ser mais valorizado quando voltou a ser comercializado. “Tinha um café com a mesma qualidade que o de Minas e São Paulo, mas era vendido com preço inferior. Muitos atravessadores compravam café daqui com preço menor e agregavam valor dizendo que era mineiro, por exemplo. Isso prejudicava muito os produtores”, relembra.
Até que em 2006, com o apoio do Sebrae e várias órgãos parceiros, nasceu uma associação com cerca de 30 produtores, com o objetivo de recuperar a qualidade do café do Paraná. Para isso foi preciso conscientizar a todos sobre a importância do cooperativismo, investir em qualidade, buscar certificações, e também conquistar a chamada “indicação geográfica”, comum em várias partes do mundo. “ A indicação geográfica é conquistada quando um produto tem fama por estar em determinado local. É ocaso, por exemplo, da pamonha de Piracicaba (SP), o bordado de Ipatinga (MG), o barreado de Morretes (PR), sem falar no presunto de Parma na Itália ou no vinho do Porto, em Portugal. Era preciso ter a indicação do café do Norte Pioneiro. E, com muito trabalho, conseguimos esta indicação”, conta Martins.
Assim, cerca de 120 produtores da região tem hoje a certificação para comercializar os cafés especiais do Norte Pioneiro e outros 200 estão prestes a conseguir isso. Todos reunidos em torno da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (ACENPP) e da Cooperativa dos Produtores dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (COCENPP). Produção de café de altíssima qualidade, premiado em concursos nacionais e internacionais com as seguintes características sensoriais: alta doçura, corpo cremoso equilibrado com agradável acidez cítrica, pronunciado sabor residual e aromas e sabores que remetem a frutas, florais, melaço, caramelo e chocolate. “São cafés especiais que qualquer consumidor encontra nas prateleiras de supermercados, em cafeterias e empórios. Uma qualidade diferenciada e uma característica um pouco mais adocicada para o café da nossa região. Já o de Minas, por exemplo, é um pouco mais ácido, mas o fato é que tem mercado para todo tipo de café gourmet”, diz Martins.

A grande maioria dos 120 produtores da ACENPP trabalha em pequenas propriedades e, em média, consegue uma média de 25 sacas por hectare. Mas nem tudo é de alto padrão. Desse total, cerca de 30 a 40%, quando tudo dá certo, atinge o índice de café especial, tamanha a dedicação necessária para produzir um café top de linha, com mais de 80 de nota de avaliação na Metodologia SCAA – Specialty Coffee Association of América (*entenda a avaliação abaixo).
Produtividade com qualidade, aliás, é o desafio que pode ser vencido com a ajuda da tecnologia. Com o apoio da ACENPP, os produtores, que tiveram uma safra menor este ano em função da chuva, estão conhecendo a técnica do café descascado, já utilizada na Colômbia e em toda América Latina.
“Estamos trazendo para cá esta tecnologia do processamento do café descascado que remove as impurezas e separa os grãos maduros. Isso contribui demais na qualidade final do produto, assim como possibilita uma secagem mais uniforme. Na Colômbia, por exemplo, como chove muito, se essa técnica não fosse utilizada nenhum café seria produzido”, explica o presidente da ACENPP, Luiz Fernando de Andrade Leite.

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Tecnologia que traz uma maior geração de renda não só para os 120 produtores de café especial do Norte Pioneiro, mas também para toda a cadeia de produtores da região. “A indicação geográfica do projeto de cafés especiais aqui da nossa região não foi criada com foco só no café, mas em todo o desenvolvimento da região. Hoje, não há geração de renda apenas para os 120 produtores, mas para os 7 mil que atuam no Norte. Benefício que vem na forma direta ou indireta tanto para os que fazem parte da cooperativa quanto para os que não estão cooperados. Um projeto só tem sucesso quando é focado na melhoria de qualidade de vida do produtor”, diz Odemir Capello, responsável do SEBRAE pelo projeto de cafés especiais do Norte.

Melhor café
O cafezinho nosso de cada dia é de baixa qualidade e de amargor acentuado. Essa é a conclusão da maioria dos especialistas quando avaliam o café do varejo, vendido em grande quantidade nos supermercados. Já o café gourmet é diferente. Ele é especial, tem aroma único, sem amargor e o brasileiro está cada vez mais disposto a pagar por um produto de melhor qualidade.

O café especial do Norte Pioneiro é um exemplo. Produto diferenciado em grão ou moído, classificado, padronizado e certificado, com qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar. Na Feira de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé), que teve sua 9ª edição realizada em outubro, em Jacarezinho, cerca de três mil pessoas disputaram lotes produzidos na região. O lote campeão conseguiu em leilão o lance de R$ 1.671,00 a saca de 30 quilos, um valor agregado seis vezes maior que o da saca média do café gourmet comercializado.
O evento reuniu torrefadores e comerciantes do mundo todo. Cada produtor apresentou seu produto para degustação. Todos com selo de indicação geográfica do Norte Pioneiro e com o selo de Fair Trade (Comércio Justo). Ademar Martins, do Empório Café da Casa, comercializa apenas café do Norte Pioneiro e trabalha para fazer do produto da região conhecido no mundo todo. “Quando chego numa cafeteria ou qualquer comércio, pergunto se a pessoa conhece o café especial do Norte Pioneiro. Se não conhece, mostro que vale saber como é. A reação é imediata. Sou bairrista e vendo só café da nossa região. Os cafés de Minas, de São Paulo, da Bahia são muito bons, mas o do Norte Pioneiro tem um diferencial, realmente especial”, afirma o barista.
O mito do café extraforte
Cafés amargos são geralmente submetidos a torras extrafortes, de grãos muito queimados que comprometem e mascaram o sabor. O que tem acontecido é que, nos últimos anos, algumas grandes marcas começaram a trabalhar com o chamado café “extraforte”, que, segundo o barista Ademar Martins, nada mais é do que café misturado com cereais.
“Quando falam em café extraforte estão querendo esconder algo. É um café preto, amargo, que queimou demais. Tudo para esconder os defeitos da bebida. Geralmente, tem mais de 50% de cereais como milho e cevada. Café mesmo é de baixa qualidade. O consumidor tem que adoçar para conseguir tomar. Um mito inventado para esconder algo do consumidor”, explica.

Como preparar um bom café
– Primeiro é importante saber que um café pouco diluído em água, não é um café forte, mas sim encorpado. O que determina se um café é forte ou fraco é a cor. Café de qualidade de cor mais clara, como um chocolate. Fuja de café de cor muito escura
– Café bom tem aroma agradável típico do café. Sem um bom aroma, não é um bom café.
– Na hora de coar o café, use água mineral ou filtrada e NÃO DEIXE FERVER. Assim que começar a borbulhar, antes de ferver, desligue a água. Escalde o porta filtros, o filtro e a garrafa térmica.
– Pode usar filtro de papel ou de pano, desde que bem higienizado.
– Não coloque o açúcar na água que vai passar pelo café. O açúcar aumenta o ponto de ebulição, que não deve ser maior que 94º C.
– Não mexa o café com a água dentro do coador. Use apenas o movimento da água que sai da chaleira.
– A quantidade de pó e água depende do gosto da pessoa, mas uma regra geral é usar 50 gramas de café (3 colheres de sopa cheias) para cada 500 ml de água. Quanto mais pó, mais encorpado será o café.
– Experimente tomar um café gourmet sem açúcar. Você vai sentir melhor o sabor e, provavelmente, nunca mais vai usar o açúcar.

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